O período medieval é caracterizado por uma forte expansão demográfica, pelas cruzadas, por peregrinações e uma grande mobilidade das pessoas. A economia cresce e desenvolve-se, a par de mutações sociais e culturais. A densidade da ocupação do território incrementa-se em resultado da valorização das terras.
A economia está baseada na agricultura, dominada pelo regime alimentar, mas a produção de linho e lã para produção de vestuário também é significativa. Os policultivos das terras são, sobretudo, de subsistência, surgindo o pão como o símbolo e base da alimentação.
Perante este cenário, o transporte de bens e produtos, especialmente os de maior volume e peso, ganha particular relevância na economia da época. O principal meio de transporte é o carro puxado por bois.
A existência de vias de comunicação e o desenvolvimento de meios de locomoção permitiram a construção de magníficos edifícios românicos, bem como a partilha das equipas de construtores e potenciou as influências estilísticas.
Como refere Carlos Almeida, as estradas e os caminhos são como “veias de um corpo”, por onde “as comunidades organizam a ocupação e usufruição do seu território, o qual reflecte o nível da sua vida social e da sua economia”.
Neste contexto de mobilidade, a construção de pontes surge naturalmente, logrando um amplo desenvolvimento no período medieval, que lhes dedicou um alargado interesse.
A história da construção de pontes, desde os finais do século XI até ao século XIV, revela que estes eram actos de piedade, com reis, eclesiásticos e nobres a legarem, nos seus testamentos, donativos para que se erguessem pontes. São estes actos que possibilitam a construção efervescente de pontes na época medieval.
As pontes medievais procuram bons alicerces e sítios firmes para se erguerem, conforme afirma Almeida. Daí resistirem melhor ao tempo e às cheias.
As obras, executadas a partir de donativos dispersos, eram organizadas através de uma espécie de confraria, a obra da ponte, que procurava reunir os fundos necessários. Muitos destes responsáveis acabaram santificados, fruto da natureza piedosa da construção de pontes.